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Revista Brasileira de Práticas Públicas e Psicopatologia – ISSN 2447-6137

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Urbanidade adoecida e crime – a realidade de adolescentes em conflito com a lei na cidade de São Paulo

Diseased urbanity and crime – the reality of adolescents in conflict with the law in the city of São Paulo

Urbanidad enferma y delito – la realidad de los adolescentes en conflicto con la ley en la ciudad de São Paulo

Ricardo Rentes

DOI: https://revistapathos.com.br/11-volume-numero-1-2025-template-urbanidade/

Palavras-chave: Adolescente. Urbanidade. Ato infracional. Vulnerabilidade
Resumo

O presente artigo é um recorte do livro: “Os Meninos de Heliópolis – O ser e fazer de adolescentes em conflito com a lei e a sintomática criminal” (Rentes, 2022). O objetivo foi compreender a visão dos adolescentes em conflito com a lei acerca dos por quês de ingresso na vida do crime e suas perspectivas de futuro. O público-alvo da pesquisa foi composto por 70 adolescentes da cidade de São Paulo, de 12 e 19 anos, do sexo masculino e em medida socioeducativa. Um dos métodos utilizados na coleta de dados foi o Desenho Estória (Trinca, 2013). O presente artigo apontou como um de seus resultados que o viver na cidade ofertaria, estimularia, autorizaria e convocaria a prática infracional, como tentativa de quebra das fronteiras que separam a favela e o restante da cidade. A diferença de realidades marcada pela desigualdade social, culminou na vivência de exclusão e cisão social, representada por um verdadeiro Apartaid urbano. O crime ficou evidenciado como a principal forma de quebrar tal vivência separatista, promovendo um encontro forçado entre as duas realidades, favela e restante da cidade. O crime foi entendido aqui como uma estratégia de comunicação e via de acesso entre os dois mundos, uma espécie de pseudopassaporte provedor de uma ilusória quebra de fronteiras. O futuro foi visto, pela maioria dos meninos, como representante de uma vida curta, dura, incerta e perigosa, ao mesmo tempo que empolgante, viva e real. Tais adolescentes denotaram que estariam dispostos a viverem os riscos da criminalidade, se estes fossem necessários como condição para se sentirem vivos, reais e incluídos socialmente, mesmo que por pouco tempo, mesmo que mediante a possibilidade de sofrerem, de serem presos ou até mesmo, de morrerem.

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Como citar

Rentes, R. (2025). Urbanidade Adoecida e Crime – A realidade de adolescentes em conflito com a lei na cidade de São Paulo. Pathos: Revista Brasileira de Práticas Públicas e Psicopatologia, v. 11, n.1, 08-29

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