PATHOS

Revista Brasileira de Práticas Públicas e Psicopatologia – ISSN 2447-6137

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A população negra e a insurgência contra as desigualdades sociais:
a luta pela legitimação de seus saberes e sua existência.

The black population and the insurgency against social inequalities: the struggle for the legitimation
of their knowledge and their existence.
La población negra y la insurgencia contra las desigualdades sociales: la lucha por la legitimación
de sus conocimientos y su existencia.

Erineide Oliveira

DOI: https://dx.doi.org/10.59068/24476137apopulacao

Palavras-chave:  Desigualdade, Racismo, Cultura.

Resumo

A reflexão aqui proposta se dá a partir da compreensão de que o problema do racismo não está no sujeito, não está em ser negro, mas nas imposições de uma sociedade racista que promove revolta, produz impulso de luta e faz o negro tomar posições que refletem diretamente na sua ocupação dos espaços e na legitimação de sua identidade, compelindo-o a buscar melhores condições de movimentação nas estruturas sociais. Para tanto é indispensável a postura política assumida nos movimentos negros, não se constituindo, contudo, na única forma possível de se colocar em luta. Vale ressaltar que se os saberes, a cultura e as epistemologias produzidas por grupos socialmente minorizados não são legitimadas, sua memória e sua inclusão ficam comprometidas e, por consequência, suas identidades invisibilizadas. Nesse sentido, garantir a cultura, os costumes e os saberes de um grupo como legítimos é, em si, garantir que esse grupo tenha sua identidade respeitada e sua existência possível. Existe uma tradição cultural periférica que não está inscrita na estrutura social brasileira, que não é reconhecida nem legitimada pelo Estado no âmbito das produções culturais. Não são reconhecidas porque são produzidas pelas periferias econômicas, cujos saberes não hegemônicos não interessam às classes dominantes. Infere-se, então, que esse apagamento resulta das desigualdades sociais.

Referências

Adiche, C. N. (2019) O perigo de uma história única. Companhia das Letras.
Almeida, S. (2020) Racismo estrutural. Jandaíra.
Kilomba, G. (2019) Memórias da Plantação: Episódios de racismo cotidiano. Cobogó.
Nascimento, B. (2021) Uma história feita por mãos negras. Zahar.
Nogueira, I. B. (2021) A cor do inconsciente: significações do corpo negro. Perspectiva.
Spivak, G. C. (2010) Pode o subalterno falar? Editora UFMG.
Williams, E. (1975) Capitalismo e Escravidão. CEA.

Como citar

Oliveira, E. (2024). A população negra e a insurgência contra às desigualdades sociais:a luta pela legitimação de seus saberes e sua existência. Pathos: Revista Brasileira de Práticas Públicas e Psicopatologia, v. 10, n.2, 10-24.

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